Ele tinha duas esposas e seis filhos, mas não era suficiente. Homem de 41 anos se casou com uma menina de 11 anos.

- julho 10, 2018

A questão do casamento infantil em certos países é um assunto extremamente abordado. Infelizmente, o cenário parece bastante longe de mudar para melhor. De acordo com o Ipas México, uma fundação que busca promover a liberdade dos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, 70% das mulheres entre os 10 e 14 anos de idade que tiveram filhos relataram que o pai tinha entre 18 e 78 anos de idade. Isso explicita que, em países onde esta prática é negligenciada, as jovens garotas não estão se casando e/ou tendo filhos com outros jovens, porém com homens já adultos. E em muitos casos, o que está em jogo é o dinheiro – pago como dote em países que aceitam ou fazem vista grossa para esta prática.


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Embora em muitos países a idade legal para consentir a uma relação sexual seja razoavelmente baixa (no Brasil, por exemplo, esta idade é de 14 anos), boa parte da sociedade demonstra a integridade e dignidade suficiente para catalogar o ato de se envolver com um menor como algo imoral.
Mas na Malásia, as coisas são um pouco diferentes. Neste país da Ásia, um mesmo homem pode ter até quatro esposas ao mesmo tempo, e a idade legal para que uma menor se case com um maior é de 16 anos. Idade esta que, para algumas pessoas, é “discutível”, desde que se chegue a um acordo com a família. Esse foi o método usado por Che Abdul Karim para poder levar até sua casa uma garota de 11 anos de idade.


FMT

Che Abdul Karim é um empresário que não está entre os homens mais ricos do país, mas possui uma boa quantidade de dinheiro. Ele tinha duas esposas e seis filhos quando conheceu aquela que seria sua terceira mulher. De acordo com o jornal estadunidense The New York Times, Abdul Karim, de 41 anos de idade, se casou com a menor totalmente escondido de suas esposas e filhos. Os únicos que sabiam do acordo eram os pais da garota. Naturais da Tailândia, eles estavam na Malásia havia alguns anos, buscando uma melhor qualidade de vida. Trata-se de uma família pobre, e os pais da garota vivem a partir da reciclagem de borracha. Abdul Karim teria oferecido um bom dote pela pequena e os pais teriam aceitado.
De acordo com o relato do homem, o casamento ocorreu na Tailândia, um país que possui uma legislação confusa: a idade mínima para que uma menina tailandesa se case é de 17 anos. No entanto, está estipulado na lei que as garotas podem casar-se com menos de 17 anos em casos onde existam “razões excepcionais”. O problema, no entanto, é que não existe nada que explique exatamente que tipo de razões seriam essas. Por isso, qualquer menor pode ser exposta a se casar com um homem maior de idade. Tudo depende da vontade do juiz.


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Agora, Abdul Karim está sendo investigado por seu novo matrimônio. O governo local decidiu não reconhecer esta união. Neste caso, o consentimento dos pais da menor não é suficiente, pois ela está abaixo da idade mínima que permitiria o casamento. E apesar de tanto o “marido” como os pais da garota terem assegurado que haviam chegado ao acordo de que a garota só se mudaria quando tivesse 16 anos, e que não haveria existido contato sexual entre eles, o governo decidiu estudar o caso a fundo.
Wan Azizah Wan Ismail, vice-primeira ministra da Malásia, condenou amplamente o caso, e agradeceu que ele tenha sido divulgado por uma das esposas de Abdul Karim que, chateada com assunto, decidiu denunciar o marido. “Meus oficiais estão trabalhando com outras agências locais para analisar mais a fundo este caso. Isto inclui os elementos de preparação sexual entre o homem e a garota antes do suposto matrimônio. Isso é uma ofensa”, disse Wan Azizah Wan Ismail.
A ministra se negou a aceitar qualquer argumento de que a garota estaria consentindo com o assunto, e diz entender que “o consentimento de uma garota com menos de 12 anos de idade não é consentimento”. A ministra também revelou que a investigação acabara de começar, porém já revelou que esta é a segunda vez que um adulto tenta se casar com esta garota.
Segundo Paveena Kongsakul, uma tailandesa que trabalha como ativista pelos direitos das crianças, poderia ser considerado como tráfico de pessoas a atitude dos pais de dar uma de suas filhas para se casar com um homem que não ama ou conhece, em troca de obter certos bens materiais.


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A ONU considera que o casamento infantil é “inaceitável”. E a Comissão de Direitos Humanos da Malásia também não deixou de se preocupar com o caso. Refletindo sobre todas as situações em que os menores estão envolvidos em casamentos forçados por motivos religiosos, chegaram à conclusão de que permitir essas uniões em nome da fé “protege potenciais pedófilos e predadores sexuais infantis”.
via Upsocl | Caso Interessante.

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