Cientista reconhecido afirma que pesquisadores criaram híbrido de humano e chipanzé nos EUA em 1920.

- setembro 15, 2018



O psicólogo evolucionário Gordon G. Gallup Jr., que ganhou fama na década de 1970 após inventar o pioneiro “teste do espelho” (uma medida de autoconhecimento baseada em observações feitas do Charles Darwin) afirmou que, durante a década de 1920, pesquisadores na Flórida haviam criado um híbrido humano-chimpanzé.


Gallup confirmou que a polêmica pesquisa, que sempre foi vista como um simples rumor, teria sido confirmada por um ex-professor de sua universidade, que supostamente trabalhou no laboratório de pesquisa onde a criatura nasceu, de acordo com informações da Science Alert.

“Um dos casos mais interessantes envolveu uma tentativa que foi feita na década de 1920 no que foi o primeiro centro de pesquisa de primatas estabelecido nos EUA, em Orange Park, Flórida”, disse Gallup ao The Sun. “Eles inseminaram uma fêmea chimpanzé com sêmen humano de um doador anônimo e alegaram que não só a gravidez aconteceu, como também foi completa, resultando em um nascimento vivo“.


No entanto, conforme apontado pela Science Alert, há poucas razões para acreditar que o suposto experimento tenha ocorrido com êxito. Por outro lado, há alguns motivos que indicam ser verdade, a começar pela afirmação ter sido feito por um respeitado cientista e a falta de motivos para ele ter chamado atenção para um rumor já esquecido.

Gallup, que é hoje professor na Universidade de Albany, afirmou que, com medo de que problemas envolvendo questões éticas pudessem afetá-los, os cientistas envolvidos acabaram encerrando o projeto.

“Em questão de dias ou semanas eles começaram a considerar as questões morais e éticas e a ‘criança’ foi morta por eutanásia”, disse Gallup, acrescentando que seu mentor, que não foi identificado, confiou a ele a veracidade do polêmico experimento. “Ele me disse que o rumor era verdade. E ele era um cientista de credibilidade por seu próprio mérito”.

Embora seja impossível confirmar ou refutar as informações de Gallup, há muitas incertezas, e também verdades, em torno da história, a começar pela linha do tempo. Ele afirma que a instituição que realizou o experimento é hoje chamada de Yerkes National Primate Research Center. No entanto, diferente do que conta, ela só foi estabelecida na década de 1930.

Seu fundador, o psicólogo e primatologista Robert Yerkes, era uma figura controversa na comunidade científica, devido ao seu apoio declarado à pesquisa de eugenia (um movimento a favor da seleção genética para a criação de seres humanos “melhores”). Porém, ele também era fascinado por temas de comportamento animal, especialmente o de primatas.

Há de se considerar ainda que, antes de ser chamado de Yerkes National Primate Research Center, durante a década de 1920 o mesmo laboratório já teve vários nomes, incluindo Yale Laboratories of Primate Biology e a Anthropoid Breeding and Experiment Station in Orange Park, que presumivelmente é a instalação que Gallup se referiu.

Enquanto o proeminente cientista não identificou o professor universitário que lhe contou sobre o “humanzé”, esta não é a primeira vez que a história foi mencionada por ele. Em um documentário de 2009, Gallup afirmou que sua “fonte crível” realmente testemunhou o nascimento da descendência híbrida, antes de fazer uma retratação sobre a afirmação.

“Eu não disse que aconteceu“, disse ele ao The Florida Times-Union à época. “Disse que houve um boato persistente de que aconteceu”.

A história chegou a ser publicada no Wikipedia, mas foi retirada logo depois, sobrevivendo apenas em fóruns espalhados pela internet. Embora talvez nunca saibamos se a história é verdadeira ou falsa, essa certamente não é a primeira vez que cientistas exploraram as possibilidades da hibridização de humanos e macacos.

Pesquisadores na antiga União Soviética e China, por exemplo, já chegaram a experimentar a ideia. Na Rússia o projeto foi liderado pela bióloga russa Ilya Ivanovich Ivanov, durante a década de 1920. Porém, ela não conseguiu uma gravidez bem-sucedida nos chimpanzés artificialmente inseminados com esperma humano. Já na China, o experimento ocorreu na década de 1960, também de maneira falha.

Na verdade, o exemplo mais famoso do mundo de “humanzé” ocorreu nos EUA, quando um chimpanzé chamado Oliver foi trazido da África sob a suspeita de que seria um híbrido humano, dada a sua aparência, capacidade de andar de pé e preferência pela companhia de pessoas. No entanto, testes genéticos confirmaram que ele era apenas um chipanzé.

Portanto, em última análise, tudo o que temos sobre as afirmações de Gallup são apenas novos rumores que se unem aos vários já existentes envolvendo o laboratório de pesquisa em primatas de Robert Yerkes.


 Fonte: Jornal Ciência
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