Suicídio já mata mais jovens que o HIV, de acordo com a OMS.

- outubro 16, 2018


Enquanto que para muitos especialistas, o suicídio juvenil tem fundamentação epidêmica, para a Organização Mundial da Saúde, o assunto precisa deixar de ser “tabu” em todo o mundo. Isso porque, segundo dados estatísticos do órgão, tirar a própria vida já é a segunda maior causa de mortes em todo o mundo para pessoas entre 15 e 29 anos – embora pessoas na idade de 70 sejam mais propensas.

De acordo com informações publicadas originalmente pela BBC, no Brasil, que ocupa o 12º lugar na lista de países latino-americanos, o índice de suicídios para a faixa de 15 a 29 anos é de 6,9 para 100 mil habitantes – algo relativamente baixo quando comparado a países como Índia, Zimbábue e Cazaquistão, que lideram o ranking geral com mais de 30 casos. De acordo com Ruth Sunderland, diretora pelo Reino Unido da ONG Samaritanos, o suicídio é um assunto muito complexo. “Normalmente, não existe uma única razão que faz alguém decidir se matar”, disse. “E o suicídio juvenil é ainda menos estudado e compreendido”.


A OMS acredita que 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos, enquanto que para cada caso fatal existam pelo menos 20 outras tentativas fracassadas. “Apenas acidentes de trânsito matam mais”, disse Alexandra Fleischmann, especialista da OMS, à BBC. “E se você analisar as diferenças de gênero, o suicídio é a causa primária de mortes pra mulheres neste grupo [15 a 29 anos]”. No Brasil, o fenômeno ocorre de forma oposta. Para as mulheres nesta faixa, o índice de suicídio é de 2,6 por 100 mil habitantes, enquanto que para os homens é de 10,7. No entanto, entre os anos de 2010 e 2012, a OMS observou um aumento de 18% nos índices femininos.

Significativamente, em termos globais, cerca de 75% dos suicídios ocorrem em países de média e baixa renda. Logo, as diferenças socioeconômicas parecem ter um grande impacto entre os jovens. Ainda neste segmento juvenil, os homens parecem tirar mais suas vidas do que as mulheres, de acordo com os dados. Para Fleischmann, a masculinidade e as expectativas sociais são os principais motivos para essa diferença. Porém, essa diferença de gênero e menor em países mais pobres, onde mulheres e jovens adultos estão mais vulneráveis. Em países mais ricos, por outro lado, são os homens que cometem três vezes mais suicídio do que as mulheres.

Especialistas consideram que uma pessoa tirar a própria vida é muito mais do que uma fatalidade. Pesquisas revelam que em pelo menos 90% dos casos de suicídio entre adolescentes há evidências de algum tipo de problema mental, que incluem depressão, ansiedade, violência ou vício em drogas.



No entanto, há fatores mais sutis que podem disparar a vontade de tirar a própria vida, como mudanças no ambiente familiar ou escolar, bem como crises de identidade sexual. Portanto, especialistas recomendam que as pessoas prestem atenção a esse tipo de sinal, bem como indicam prestar mais atenção à questão do bullying e ao sensacionalismo midiático que pode encorajar imitações. Para esses casos, Sutherland afirma que um efeito positivo e inverso é sugerir a essas pessoas que procurem ajuda. Contudo, embora uma série de grupos envolvidos com a questão argumente que o suicídio seja uma questão de saúde pública, apenas 28 países possuem estratégias de prevenção.

 O suicídio em números



1,3 milhão de jovens em todo o mundo morrem todos os anos, vítimas de causas evitáveis ou tratáveis.



1º: Trânsito – principal causa de morte, com 11,6% do total;

2º: Suicídio – responsável por 7,3% das mortes;

3º: HIV/AIDS e infecções respiratórias;

4º: Violência – o Brasil é o 6º colocado do mundo em números de homicídios com vítimas jovens.

(OMS, CDC, UNICEF / 2012)

[ BBC ] [ Fotos: Reprodução / BBC ]
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