Separadas, gêmeas que nasceram unidas pela cabeça têm alta do HC e devem passar réveillon na praia.

- dezembro 13, 2018




Irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 2 anos, estavam internadas há 40 dias na enfermaria pediátrica, em Ribeirão Preto, SP. 'Felicidade muito grande', diz pai das meninas.


Após um ano de idas e vindas ao Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto (SP), as irmãs Maria Ysadora e Maria Ysabelle, que nasceram unidas pela cabeça, receberam alta médica nesta sexta-feira (7) e poderão voltar para casa.

As meninas estavam internadas na enfermaria pediátrica há 40 dias, após terem sido submetidas à última cirurgia de separação, no fim de outubro.

A família ficará em Ribeirão Preto até o natal e depois deverá voltar a Patacas, distrito de Aquiraz, no Ceará, onde as gêmeas nasceram. Será a primeira viagem desde o início do tratamento.

“A felicidade é muito grande, de poder sair com elas bem e em tão pouco tempo de cirurgia. Agora a gente vai poder passear com elas e, no dia 27, vamos para Fortaleza. Na virada do ano a gente vai levar elas para conhecer a praia, que elas não conhecem ainda”, planeja o pai das meninas, Diego Freitas Farias.

Para a mãe das meninas, Débora Freitas, esse é um novo começo. “Meu coração está a mil. Não vejo a hora de sair daqui, estou contando os minutos. Eu falo que elas têm duas datas de nascimento: o dia 1º de julho é o dia em que elas nasceram, mesmo juntinhas, e que foi um aprendizado que Deus dá para quem pode superar tudo isso; e o dia 27 de outubro, que foi o dia que elas nasceram separadinhas, do jeito que era para elas nascerem”, diz.

Família mostra laudo com alta das gêmeas siamesas unidas pela cabeça, em Ribeirão Preto Família mostra laudo com alta das gêmeas siamesas unidas pela cabeça, em Ribeirão

Família mostra laudo com alta das gêmeas siamesas unidas pela cabeça, em Ribeirão Preto
Despedida
A despedida nesta sexta-feira deixou a equipe médica emocionada. Ao longo de um ano, elas foram acompanhadas por diferentes profissionais, coordenados pelo professor e neurocirurgião Hélio Rubens Machado. A separação, inédita no Brasil, contou ainda com reforço do especialista americano James Goodrich.

“Muitas saudades. Depois de tanto tempo, quase todos os dias pensando nelas, trabalhando por elas, então a gente vai sentir muita falta sim”, diz Maristela Bergamo, pediatra responsável por acompanhar o tratamento das meninas.
Segundo os médicos, após muitas incertezas, as gêmeas terão condições de seguir a vida normalmente. “É extremamente gratificante chegar ao final. Provavelmente, toda a nossa programação foi correta, era isso que tinha que ser feito e o resultado está aí”, afirma Machado.

Para o neurocirurgião Ricardo Oliveira, que também acompanhou o tratamento, a evolução motora e cognitiva das meninas é considerada boa. “Elas estão muito bem depois da separação. Nós notamos nitidamente uma grande evolução nas últimas semanas, estão muito mais ativas nesse momento. Ver elas indo embora sorrindo, ativas, é de muita satisfação, um trabalho coroado com a alta delas”, afirma.
Depois de nove meses de tratamento, equipe médica se despede de gêmeas siamesas, em Ribeirão Preto

Depois de nove meses de tratamento, equipe médica se despede de gêmeas siamesas, em Ribeirão Preto

Reabilitação

Em janeiro, as irmãs voltarão a Ribeirão Preto para iniciar o processo de reabilitação. Como elas ficaram dois anos sem poder se levantar da cama, terão que aprender a andar, ganhar força muscular e postura. Esse processo deverá demorar cerca de um ano.

“Elas precisam adquirir tônus muscular, postura correta, além da reabilitação da parte cognitiva. Desenvolver a parte da fala, da linguagem, da memória. Para isso, elas serão estimuladas em terapia ocupacional, psicologia, uma série de coisas que a gente junta no nome ‘reabilitação’. A finalidade é vê-las adaptadas para entrar na escola, correr, brincar, conviver com outras crianças. Esse é um planejamento de médio e longo prazo”, explica Machado.

Pais celebram alta médica das gêmeas no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto,

As irmãs cearenses nasceram unidas pela cabeça. Nunca uma separação desse tipo tinha sido feita no Brasil. O procedimento foi dividido em cinco etapas para que pudesse ser concretizado.

A primeira operação ocorreu em 17 de fevereiro e durou cerca de sete horas. A segunda cirurgia, em 19 de maio, teve duração de oito horas. A terceira cirurgia ocorreu em 3 de agosto e também durou oito horas. A quarta cirurgia aconteceu no dia 24 do mesmo mês, quando os médicos implantaram expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que houvesse tecido suficiente para cobrir os dois crânios.

A última cirurgia, inédita no Brasil, durou 20 horas e envolveu 30 médicos, incluindo quatro norte-americanos. Entre eles o cirurgião James Goodrich, referência mundial no assunto e que acompanhou todas as etapas da separação das gêmeas.

Fonte: g1.globo
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