Não tenha medo de se afastar completamente de certos membros da sua família.

- janeiro 16, 2019


A nossa sociedade nos condicionou a crer que a família deveria ter um certo vínculo espiritual que não se deveria jamais se romper. No entanto, isso nem sempre é verdade. Às vezes pode ser necessário para a sua própria estabilidade mental e emocional, e paz, manter uma certa distância de determinados membros da família, mesmo que isso signifique se afastar de uma vez por todas. Um membro da família tóxico pode fazer mais mal do que um amigo ou um conhecido.
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Qualquer relacionamento tóxico pode sugá-lo emocionalmente, mas um dentro da sua família pode impactar sua saúde mental como um todo.

Alithia Asturrizaga, uma assistente social clínica licenciada, da Alithia Psychotherapy Associates, P.C., afirmou para o site Her Campus: "Eu já trabalhei com inúmeras pessoas que viveram suas vidas lidando com familiares e parceiros tóxicos. Na verdade, esse é um dos principais motivos pelos quais muitas pessoas buscam terapia. Há certas técnicas que é possível usar para tornar esses relacionamentos mais toleráveis — esses métodos geralmente envolvem se distanciar até certo ponto da pessoa tóxica. Contudo, em muitos casos, a melhor solução é remover completamente esse indivíduo da sua vida".

Agora, ainda é possível remover da sua vida parceiros amorosos, amigos, conhecidos ou colegas, com pouco drama e consequências, mas e se você estiver em um relacionamento abusivo com sua família mais próxima?
"Isso raramente é fácil e, no caso de relações familiares próximas, como com um dos pais, geralmente é complexo e cheio de conflitos emocionais — mas quando a situação se deteriora ao ponto de tornar impossível viver uma vida feliz e livre, essa estratégia é geralmente a melhor,” Asturrizaga diz.


Por outro lado, antes de começar a se afastar das pessoas, também é importante entender os sinais de um indivíduo negativo. Se algum membro da sua família exibe os seguintes sintomas, pode ter certeza de que ele é uma ameaça à sua saúde mental:
  • Ele o torna uma vítima de suas inseguranças. Em vez de valorizar o que você atingiu na vida, ele apontará o que você não conquistou. Ele o lembrará constantemente de que a vida é injusta e de que não há nada que justifique ficar feliz, porque ele próprio se sente assim.
  • Ele sempre julgará você. Existe uma linha tênue entre críticas construtivas e um julgamento baseado em opiniões. Você saberá quando as críticas são benéficas ou quando simplesmente têm o objetivo de derrubá-lo.
  • Ele abusa da sua energia. Ele vai se aproveitar de toda a sua energia positiva para tirar sentido para sua vida infeliz e, quando você precisar dele, vai desaparecer.
  • Ele não é confiável. Se o seu parente conhece todos os seus pontos fortes e fracos e os usa contra você quando há alguma situação difícil, você sabe que não deve confiar a ele os seus segredos ou informações pessoais.
  • Ele culpa você pelos próprios erros. Você tem um familiar que depende emocionalmente de você e que o tomou como âncora de sua própria vida? Há uma grande chance de ele estar se alimentando da sua energia e de que continuará culpando você por não lhe dar suporte, mesmo que saiba que você também tem a sua vida.
  • O comportamento dele muda de acordo com as pessoas que estão perto de você. Em um dia, ele valoriza você e finge se importar, mas em outros, ele é insensível e insulta você. Ele lhe diz coisas amáveis quando estão juntos, mas, geralmente, na frente de outras pessoas, é sarcástico ou maldoso.

Shannon Battle, uma conselheira profissional licenciada e especialista clínica em vícios, há oito anos nos Serviços Familiares da América (Families Services of America), sugere estabelecer limites como a melhor forma de se lidar com uma pessoa tóxica. Battle afirma: “Sempre que você lida com toxicidade, compreenda que há uma curva de aprendizado. Haverá períodos de incerteza, culpa e possível perda em relacionamentos. Você precisa determinar o nível de sacrifício que está disposto a fazer para proteger seus sentimentos e aquelas pessoas que confiam em você para protegê-las também. Às vezes, precisa magoar uma para ajudar outra. A mágoa nunca tem intenção maligna, mas é sempre feita com amor e respeito. Comportamentos são feitos de escolhas”
Não vai haver uma sensação de naturalidade ao remover um familiar da sua vida. Existem muitos sentimentos e compromissos envolvidos, e isso vai, claro, balançar o alicerce no qual se baseia sua vida.

Mas se você não resistir ao impulso de manter essa base intacta, vai pagar um preço; e esse preço é a sua estabilidade mental.


Tal preço é ainda maior se esse familiar for sua mãe ou seu pai. Os pais geralmente ganham o benefício da dúvida porque criar um filho pode ser complexo e cansativo. E, às vezes, mesmo que você tente convencer seu familiar de que o que ele está fazendo está prejudicando o equilíbrio da relação, ele vai fazer pouco caso da sua opinião, culpar você ou a sociedade, ou levar a mal a sua crítica e nunca mudar. Mas tudo bem, porque você precisa continuar tentando.

O que queremos dizer é que você não pode fazer ninguém feliz se a sua própria felicidade estiver ameaçada.

É imprescindível que cada indivíduo foque em sua vida primeiro e, depois, deixe outras pessoas tomar parte nela. Um relacionamento significa muito trabalho e aquele que temos com a família é presumivelmente sagrado. Por isso, atribuímos muita expectativa a ele. E quando nossos familiares não nos valorizam ou quando nos machucam, perdemos a cabeça. É essencial manter um equilíbrio e um espaço pessoal, mesmo em relação a pais e irmãos, e você deve respeitar o espaço pessoal dos outros. Mas, se nada funcionar, cortá-los da sua vida é o passo necessário que deve tomar. A família existe para oferecer apoio e alegria e estar com você em tempos difíceis. Portanto, qualquer grupo de pessoas que você escolha para estar ao seu lado, e que provem fazer tudo isso, é a sua família.

Relacionamentos abusivos com pais ou mães são, frequentemente, os piores. Lori Osachy, mestre em Serviços Sociais, assistente social clínica licenciada e dona e diretora do Centro de Aconselhamento da Imagem Corporal (The Body Image Counseling Center), afirmou para o site Her Campus: “ Frequentemente, um desses familiares tóxicos é um pai ou uma mãe. É extremamente doloroso perceber que a personalidade tóxica de um dos seus pais provavelmente nunca mudará. A decisão de se afastar ou cortar contato, e depois se ater a essa escolha, pode ser muito penosa. Além disso, meus clientes muitas vezes não percebem que o comportamento dos pais é tóxico e continuam a tolerar seus comportamentos abusivos. O estigma social que leva a obedecer ao "honrarás teu pai e tua mãe" é outro empecilho. Por vezes, cortar um dos seus pais de sua vida é a melhor decisão, mas é necessário muito apoio e instrução para fazer isso de forma bem-sucedida e encontrar alívio. .”
Ao identificar e confrontar a pessoa tóxica em sua vida, o tiro pode sair pela culatra, pois é possível que o abusador use a estratégia do gaslighting, convencendo-o de que é você a verdadeira influência negativa do relacionamento e de que as atitudes dele são mera consequência das suas. Ele pode se fazer de vítima e confundi-lo e, no pior cenário, fazer com que você se sinta péssimo em relação a si mesmo. Dessa forma, o infinito ciclo de comportamento abusivo se perpetua. É um padrão, e ele vai se repetir, portanto, você precisa ser muito cauteloso e avaliar a situação a partir da razão e do que parece certo para você.
Cortar pessoas tóxicas da sua vida é importante para sua saúde mental e bem-estar, mesmo que esses indivíduos sejam seus parentes. Você conhece alguém que sofreu com um relacionamento tóxico na família? Faça com que essa pessoa saiba que está tudo bem cortar familiares de sua vida.

Fonte: Saber de tudo.
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