Já não fazem mais música e gente como antigamente.

- março 24, 2019




A verdade é que ando cansada desta ditadura moderna do desapego e da superficialidade. Músicas que só são refrão e gente que não usa o coração.
Ou eu estou vivendo na época errada ou o ser humano está perdendo a graça.
A verdade é que ando cansada desta ditadura moderna do desapego e da superficialidade.


Músicas que só são refrão e gente que não usa o coração.
Ambos, sem melodia, sem alma. Sem verdadeira paixão.
Mentes e melodias que não prendem a atenção.
Não dizem nada, não emocionam, não são capazes de tocar profundo.
Artistas, os que fazem música e os que fazem cena, não são capazes de conquistar uma pessoa só, pois estão muito preocupados em conquistar o mundo.


Letras e corpos que ensaiam, mas que não fazem ideia do que é o amor.
Shows, nos palcos e na vida, de gente que só alimenta o ego e deixa a alma desnutrida.
Foi-se o tempo em que se ansiava para dançar junto, em que se dedicava música pela banda do baile, em que se mandava uma letra como pedido de desculpa.
Foi-se o tempo, em que se olhava nos olhos e que se compreendia tudo, em que os beijos eram alma adentro e não somente da boca para fora.



Foi-se o tempo em que amar era ato nobre de se dar orgulho, em que o compromisso era com alegria e respeito, e não só mais um jeito para não se estar sozinho, de gente que não suporta a própria companhia.
Hoje em dia, as pessoas não se encontram e se apaixonam mais, apenas se “pegam” e se largam com uma facilidade assombrosa.


Na ditadura moderna da felicidade, não é mais permitido sentir. Amar virou sinônimo de fraqueza.
E estão confundindo “amor-próprio” com egocentrismo, empoderamento com arrogância, liberdade com solidão.
Uma geração que apelida um monte de coisas de “amor”, mas que dele tem absoluto pavor.


Gente que perdeu o tom…canção, sem nenhum dom…mas o baile segue. E nós também seguimos, ninguém sabe para onde está indo, mas o importante é não parar.
Não pare. Não sinta, não admita, não procure. Não deixe o outro saber que você muito o quer.
O melhor é esquecer, arrumar alguém mais fácil, para passar umas horas e depois sumir com uma desculpa qualquer.


Pegue na mão, mas não segure firme. Amasse, mas não permita afagos na alma. Beije, mas não sinta nada além de mero desejo. Fique junto, mas não leve para a vida. Até ligue, mas jamais atenda rápido. Faça o jogo ou será taxado como bobo.
Ando sem paciência para músicas (e gente) tão iguais…sempre o mesmo ritmo, a mesma falta de assunto. Versos que não rimam, gente que não chega junto. Artistas de uma música só, pessoas de uma noite só.


Artistas e meros mortais, com agendas lotadas e suas casas vazias…que ironia!
“Peace & Love” hoje, só nas camisas da modinha…
A geração “Desapega” desconhece emoções genuínas, mas segue a mesma linha.
Segue o mesmo script, um único padrão. Não sai do roteiro.


Gente que se acha o máximo demais para dar sua magnitude para uma única pessoa. E gente que se acha de menos para conquistar alguém. Não me encaixo nesse contexto.
Gosto de tudo que o amor traz…gosto de dedicar texto, fazer planos para a vida e para a noite logo mais…

Gosto de planejar viagem de fim de semana e almoço de domingo na casa dos pais. Pois é, ando com melancolia…das boas músicas e dos bons amores de tempos atrás…





Fonte:O Segredo
Autor: Bruna Stamato

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