Brasileira supera fome e preconceitos, torna-se PhD em Harvard e acumula prêmios na carreira

- abril 15, 2019




Não é fácil lidar com as dificuldades da vida. Somos obrigados a sair de nossas zonas de conforto e lutar em direção às coisas que desejamos. Existem dias muito difíceis, em que pensamos em desistir, mas lembramos de que não podemos nos dar a esse luxo, porque somos os únicos responsáveis por nossas vidas.
Para alguns, os momentos difíceis podem ser sinônimos de desistência, mas para outros, é uma motivação, uma prova de que estamos seguindo o caminho certo.
A história de Joana D’Arc Félix de Souza mostra que não precisamos ser definidos por nenhum preconceito, e que temos, sim, tudo o que é necessário para conquistar as vidas que queremos viver.
Atualmente com 53 anos, Joana teve uma vida de muitas dificuldades, mas superou todas elas! Falta de educação qualificada, fome, preconceito com a cor de sua pele e também por ser mulher, e hoje é uma cientista PhD em química pela renomada Universidade de Harvard, dos Estados Unidos. Ela possui 56 prêmios de carreira, entre eles o de ‘Pesquisadora do Ano’ no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, que lhe foi concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim).
Joana nasceu no interior de São Paulo e levou uma vida muito simples, sendo filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume. A mãe de Joana a levava para o trabalho e ensinou a filha a ler usando jornais na casa da família para a qual trabalhava. Foi exatamente nessa época que Joana começou a estudar:
“Um dia, a diretora da escola Sesi foi visitar a dona da casa e perguntou se eu estava vendo as fotos do jornal. Respondi que estava lendo. Ela se surpreendeu, pediu-me para ler um pedaço e eu li perfeitamente. Coincidentemente, era começo de fevereiro e ela sugeriu que eu fosse uns dias na escola. Se eu conseguisse acompanhar, a vaga seria minha. Deu certo e com 14 anos eu já terminava o ensino médio”
Quando chegou o momento de escolher a carreira, ela optou por cursar química pois é uma área na qual já estava inserida, porque trabalhava há muitos anos com couro. Não foi fácil conseguir todos os materiais para começar seus estudos de graduação, e ela contou com a ajuda de algumas pessoas:
“Uma professora tinha um filho que fez cursinho e pedi o material para ela. Meu pai e minha mãe não tinham estudo, mas muito me incentivaram. Eles tinham consciência de que eu só cresceria através de estudos”, diz Joana. “Passei a estudar noite e dia até entrar na Universidade Estadual de Campinas.”
Sendo uma mulher negra, seu período na faculdade foi conturbado, ela foi alvo de muitos comentários e atitudes preconceituosas. No entanto, manteve-se firme e dedicada, focando na conquista de seu diploma.
“O Brasil ainda é um país racista. Pode estar um pouco mais escondido, mas isso ainda existe. Mas não usei isso como obstáculo, e sim como uma arma para subir na vida”
Além das dificuldades sociais, Joana também enfrentou muitos desafios pessoais, ela passou fome por um tempo, mas ainda assim seguiu em frente.


As coisas ficaram um pouco melhor quando ela ganhou um auxílio para a iniciação científica.
Seus professores, sabendo do potencial de Joana, incentivaram-na a seguir na vida acadêmica e ela, que sempre foi interessada pelo campo de pesquisa, concluiu seu doutorado em Campinas, aos 24 anos. Um dos artigos de Joana logo ganhou destaque, sendo publicado no Journal of American Chemical Society, o que lhe rendeu um convite para continuar estudando, só que nos Estados Unidos. Então ela foi e concluiu o seu pós-doutorado na Universidade de Harvard.



Joana retornou ao Brasil após o falecimento de sua irmã, aos 35 anos. Ela veio para ficar com sua mãe, que já era viúva, e também para ajudar na criação de seus 4 sobrinhos que perderam a mãe.
De volta à sua cidade natal, Franca, Joana se tornou professora da ETEC em 2008. Depois disso, ainda trabalhou em outras pesquisas, e como líder em uma pesquisa com seus alunos, dedicou-se à produção de um tecido ósseo criado com materiais que podem ser encontrados na natureza, como escamas de peixes e colágeno de curtume.



O trabalho como professora é muito importante para Joana, que se diz grata e recompensada em seu trabalho:


“Alguns jovens estavam no caminho errado, mas, fazendo a iniciação científica, encontraram um rumo. Eles tomam gosto pela pesquisa. Muitos pais vieram me agradecer, e isso é muito gratificante dentro da escola básica”. Então, conclui: “as armas mais poderosas que temos para vencer na vida são a educação e o estudo”…


Uma mulher realmente inspiradora! Passou por muitas dificuldades durante sua vida, mas persistiu e recebeu as recompensas de seus esforços. Mesmo conquistando respeito fora de seu país, ela não abandonou as raízes e voltou para o país para apoiar a família e ensinar as crianças daqui, sendo um exemplo de competência e dedicação!


Por mais exemplos como esse! Se você gostou da história de Joana, deixe um comentário abaixo!


Fonte: O segredo

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