Jovem que viajava 53 km todos os dias para estudar é aprovado em Medicina.

- 8:52 PM

Por dois anos, de segunda à sexta, Lucas acordava às 3h30 da manhã, pegava um ônibus e cruzava os 53 km que separam a pequena cidade de Horizonte (CE) da capital cearense para estudar.

A rotina puxada de Lucas Ribeiro de Sousa, 20 anos, enfim trouxe frutos, com a aprovação do jovem no curso de Medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC).


Ele atingiu a excelente nota de 742,14 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 e ficou na 21ª posição na lista de aprovados do Sistema de Seleção Unificada (SiSU).

Lucas concluiu o ensino médio em 2016, tendo estudado os três anos em uma escola estadual técnica. Passou o ano seguinte estudando sozinho até conseguir uma bolsa de estudos integral em um cursinho de Fortaleza.

“A Prefeitura [de Horizonte] disponibiliza uma condução que sai às 4h40. Eu ainda pegava um mototáxi para conseguir chegar ao centro [de Horizonte], já que eu moro em um distrito longe”, diz.


Após uma hora e meia de trajeto, ao chegar na capital, Lucas ainda percorria alguns quarteirões para comer e esperar a abertura dos portões do cursinho.

O estudante saía do cursinho antes da aula terminar para não perder o ônibus de volta para casa. “Eu tive muito apoio, tanto familiar quanto do curso, porém eu não tinha o material necessário para estudar em casa, só consegui através de uma amiga que já tinha estudado no mesmo local”, disse, acrescentando que ainda dava aulas de reforço escola por R$ 70,00 mensais para ajudar nas despesas em casa.


A mãe do rapaz é autônoma e o pai, agricultor. O jovem conta que a situação foi mais difícil no começo do cursinho, mas se normalizou. “Era muito gasto para nossa família. Era tirar dinheiro de onde não tinha para pagar a condução até o centro de Horizonte, além dos gastos diários com alimentação. Já aos sábados, quando havia aula, eu não podia ir. Era financeiramente inviável”, relata.

As dificuldades não abalaram a força de vontade de Lucas, que sempre sonhou em fazer Medicina. Ele diz que jamais deu atenção para pessoas que falavam para ele tentar entrar num curso “mais fácil de passar”.

“Eu quero ser grande. Medicina é um curso superestimado, então quando uma pessoa como eu, da zona rural e pobre, decide por ele, tem que persistir, apesar de tudo.”



Felizmente, ele já tem um lugar para ficar em Fortaleza. “Uma amiga da minha mãe ofereceu a moradia. Com isso, já ajuda, mas eu espero receber o auxílio da UFC, além de trabalhar nos laboratórios para, então, conseguir me estabilizar de verdade”, comenta.

“Eu fiquei muito feliz com a conquista. Todos da família”, disse, com orgulho de ter conseguido não só a vaga, mas uma outra perspectiva para toda a família.

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Fonte: Diário do Nordeste/Foto: Arquivo pessoal


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