Filha de 8 anos do motorista é uma das 6 vítimas de acidente em SP.

- 12:38 PM


 



O motorista do ônibus envolvido no acidente na rodovia Oswaldo Cruz tentava desviar de um carro na contramão quando o veículo tombou, segundo um passageiro.





O condutor, 44 anos, foi quem organizou a viagem com amigos e vizinhos em sua folga como motorista de uma empresa de ônibus. Ele levava com ele a filha de oito anos, que não resistiu e morreu.


“Ele tentou salvar as pessoas. Para não bater no carro, desviou mas o ônibus desestabilizou e tombou. Ele não cometeu nenhuma irresponsabilidade, levava a filha com ele. Estamos desolados com o que houve”, contou o sobrevivente Felipe Reges.


Felipe era amigo do motorista, com quem trabalhou como cobrador em uma empresa de transporte coletivo na capital. Ao g1 contou que, nas folgas, o amigo organizava excursões como uma forma de renda extra. Neste feriado de Proclamação da República, ele levava 66 pessoas para Paraty, no Rio de Janeiro.




 

Ele conta que eles foram parados por agentes do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e que o motorista falou que não sabia que não eram permitidos coletivos no local e que teria ido pela estrada por orientação do GPS.

“Fomos parados e ele seguiu para o retorno. Eu estava acordado e vi quando, menos de dez minutos depois, ele se surpreendeu com um carro na contramão e aí foi tudo muito rápido. Quando percebi, tínhamos tombado”, conta. A dinâmica do acidente ainda é investigada pela polícia.


Felipe estava com a esposa no ônibus. Os dois estavam sentados nos primeiros bancos da frente e tiveram ferimentos leves. Segundo ele, as vítimas fatais estavam sentadas na lateral do coletivo, que atingiu a mureta de proteção da pista.


No acidente, ele perdeu um amigo e a filha do motorista, que era colega de trabalho e amigo de infância. O corpo da menina foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Caraguatatuba. A família ainda aguarda o fim do registro do caso para a liberação do corpo. De acordo com Felipe, o motorista está medicado, em estado de choque.




 

Vítimas

Seis pessoas morreram no acidente, segundo informações da Polícia Civil, atualizadas até o fim desta tarde. Entre as vítimas, está a filha do motorista, de oito anos, e a agente de saúde Solange Santana Novaes.





Solange tinha 47 anos e viajava com o namorado. Direitos autorais: arquivo pessoal.


Outras 48 pessoas foram resgatadas no local com ferimentos, algumas delas com casos de amputação de membros, segundo os bombeiros. No registro da Polícia Civil conta que duas pernas humanas foram encontradas no local e encaminhadas ao IML.




 

Entre as vítimas, 34 foram socorridas para a Santa Casa de Ubatuba. Outras nove foram levadas para o Hospital Regional, em Taubaté. De acordo com a unidade, uma delas é uma criança e três estão em estado grave.


O acidente

O acidente ocorreu por volta das 6h30 no km 75 no trecho de serra da rodovia na altura de São Luiz do Paraitinga. De acordo com uma das passageiras, o motorista teria tentado desviar de um veículo e, em seguida, acessou uma curva, perdeu o controle e tombou o ônibus.


A rodovia ficou interditada por cerca de dez horas até às 16h deste sábado, quando o veículo foi destombado e retirado da pista. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) o congestionamento chegou a 20 quilômetros. O horário do acidente era apontado pela polícia como de pico para a saída do feriado prolongado de Proclamação da República para Ubatuba.




 

Proibido ônibus na Oswaldo Cruz

Segundo sobreviventes, na madrugada o motorista seguia pela Oswaldo Cruz quando foi parado por agentes do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) que pediram que ele retornasse, já que é proibido o trânsito de ônibus na estrada.


Isso porque, por causa destas condições, o tráfego de caminhões e ônibus, superiores a sete metros de comprimento e pesando mais de sete toneladas é proibido na Oswaldo Cruz desde 2014, após uma portaria do Departamento de Estradas e Rodagem (DER).


O acidente aconteceu quando o motorista retornava, no sentido Taubaté. O coletivo era fretado da empresa Viação Arca e havia saído no início da madrugada de Pinheiros, na capital, com destino a Paraty, no Rio de Janeiro. O ônibus era um modelo de dois andares e levava 66 passageiros. Apesar de transportar os passageiros por um local proibido para ônibus, o coletivo estava com as licenças em dia, segundo a Artesp.




 

O que diz a empresa

Em nota, a empresa Viação Arca informou que lamenta o ocorrido, que está dando suporte às vítimas. Disse ainda que “não há como precisar a causa do acidente, apenas após a conclusão do laudo da perícia científica”.



Via:G1

Advertisement